Achei o texto super interessante e ele tira muitas dúvidas sobre a educação e comportamento das crianças, e vejo que é possível educar sim uma criança sem palmadas.
Vivemos
em uma cultura em que a palmada faz ou fez parte do cotidiano de
muitos brasileiros. Atualmente o tema vem sendo debatido e até uma lei
está a caminho. Esse texto traz a experiência e algumas dicas de uma
mãe. Fonte: Guia do Bebê
Resolvi fazer este texto,
relatando os diversos aprendizados que tive, ao longo desses quase 10
anos (minha filha faz 10 em julho). Aprendizados que tive trocando
experiências com outras mães em redes sociais (como na comunidade
Pediatria Radical), que li em livros, em blogs, filmes, conversas com
amigos e, principalmente, LEMBRANDO DE MINHA PRÓPRIA INFÂNCIA E
OBSERVANDO MINHA FILHA, e até mesmo pelos exemplos negativos que tive de
como NÃO educar uma criança.
Para mim, aprender a educar SEM PALMADAS foi/é tão gratificante, que eu me sinto na obrigação de compartilhar o que aprendi.
Aprendizado 1:
ASSUMA O PAPEL DE PAI/MÃE.
Essa é, sem dúvida, a primeira coisa que se deve fazer quando se pretende educar um filho: assumir o papel de educador.
Não
importa se o dia foi estressante, se você está de TPM, se a criança
está birrenta, se você não sabe o que fazer pra contornar um conflito,
... você (pai/mãe) é quem deve ter maturidade, você (pai/mãe) é quem tem
o controle da situação, você (pai/mãe) é que se permite perder o
controle. A responsabilidade é sua.
Assumir o papel de pai/mãe é também colocar a criança no seu papel, qual seja: de CRIANÇA.
Portanto, por mais óbvio que isto seja, algumas pessoas não se atentam pra essa obviedade:
Pai/Mãe é Pai/Mãe = adultos, que devem agir com maturidade e que tem o direito/obrigação de cuidar e educar os filhos.
Filho é Filho = Criança, imatura, em processo de desenvolvimento, que tem o direito de ser cuidada e educada pelos pais.
Aprendizado 2:
CONHEÇA UM POUCO SOBRE DESENVOLVIMENTO INFANTIL.
Você não precisa ser expert
em psicologia ou entender as teorias de Freud (que, aliás, são
controversas). Mas procure ter conhecimentos básicos sobre o
desenvolvimento infantil, como os saltos de desenvolvimento, crise dos 8
meses (angústia da separação), terrible two, a angústia causada pela
noção da morte (por volta dos 6 anos), etc.
Ter conhecimento sobre
a fase que seu pimpolho está passando ajuda enormemente a entender
muitas de suas atitudes. E assim, entendendo as atitudes dos nossos
pequenos, fica muito mais fácil lidar com elas. Além de evitar que
tenhamos interpretações completamente errôneas como “esse bebê só quer
colo porque está mimado”, ou “essa criança fica me testando o tempo
todo”, etc.
Aprendizado 3:
CRIANÇA É CRIANÇA.
Esse aprendizado está muito interligado ao aprendizado anterior (“Conheça um pouco sobre o desenvolvimento infantil”).
Criança vê o mundo de forma diferente dos adultos.
Portanto, não interprete as atitudes dos pequenos como você interpretaria as mesmas atitudes praticadas por um adulto.
Por
exemplo, se um adulto diz, de forma proposital, algo que não condiz com
a realidade: isso se chama mentira. Já, quando uma criança pequena diz
algo que não condiz com a realidade: isso não é uma mentira (pode ser
uma confusão que ela faz entre o pensamento e a realidade, ou pode ser a
resposta que ela pensa ser a “resposta certa” que os pais estão
esperando ao ser questionada sobre algo).
Assim, um adulto falar
algo que não condiz com a realidade é MUITO DIFERENTE de uma criança
falar algo que não condiz com a realidade.
Além disso, como já foi
dito anteriormente, crianças tem suas fases. Eu sei, é chato quando
ouvimos “isso é fase, vai passar”. Mas é a mais pura verdade e devemos
também levar em consideração a fase que a criança está passando para
interpretar suas atitudes.
Outro exemplo de atitude equivocadamente interpretada por muitos adultos, eu falarei nos aprendizados a seguir:
Aprendizado 4:
CRIANÇA PEQUENA NÃO TEM CAPACIDADE PARA OBEDECER – AS ATITUDES DEVEM VIR DOS ADULTOS.
É isso aí gente: criança pequena NÃO OBEDECE. Ponto.
Ter
consciência de que criança pequena não tem capacidade para obedecer foi
um dos melhores aprendizados que eu já tive e que mais me ajudou, além
de evitar uns 50% de estresse do dia-dia.
Esperar que uma criança de 3 anos obedeça é tão inútil quanto pedir para um bebê de 7 meses trocar a fralda sozinho.
E
por que a criança não obedece? Simplesmente porque ela ainda não tem
essa capacidade. O cérebro dela sequer está completamente formado para
que ela seja capaz de conter seus impulsos. Muito pelo contrário, nas
crianças pequenas, são seus impulsos, suas vontades, seus desejos, que a
controlam.
Além disso, a criança mantem uma relação muito forte com o objeto de desejo, com o que quer fazer.
Quando
uma criança quer algo, sai de baixo! Ela QUER com todas as suas forças.
E fica obcecada pelo objeto de desejo. Grita, esperneia, chora e berra.
Assim, se ela QUER muito fazer algo e você disser pra ela não fazer tal
coisa, ela não vai te obedecer.
Portanto, esqueça a obediência. Criança NÃO tem que ser OBEDIENTE. Criança precisa ser EDUCADA.
E
como se educa a criança a ter controle sobre si própria? Da mesma forma
que a gente deve educá-la a trocar de roupa sozinha. Ou seja: primeiro
nós fazemos por ela (o adulto é que troca a criança), depois passamos a
ajudá-la a fazer (a gente ajuda a criança a se trocar) e, então, ela
passará a fazer sozinha (a criança troca-se sozinha).
É basicamente a mesma coisa.
Portanto, para ensinar a criança a conseguir ter autocontrole, inicialmente, são os pais que devem fazer isso por ela.
Cabe
ao adulto, através de atitudes, IMPEDIR COM QUE A CRIANÇA FAÇA O QUE
NÃO PODE. Da mesma forma, cabe aos adultos, através de atitudes, LEVAR
CRIANÇA A FAZER O QUE DEVE SER FEITO.
Deste modo, se a criança
quer brincar com uma faca: a responsabilidade é sua (adulto) de retirar a
faca da criança. Se a criança quer permanecer em algum local perigoso, a
responsabilidade é sua (adulto) de retirá-la do local.
Se a criança não
quer escovar os dentes, a responsabilidade é sua (adulto) de levá-la a
escovar os dentes. Se a criança está subindo em cima de um sofá na casa
de uma visita, a responsabilidade é sua (adulto) de impedir tal fato. A
responsabilidade é sempre sua. É você, adulto, que vai controlá-la.
Com
o passar do tempo, a criança vai criando autocontrole, e aí você vai
passar a ajudá-la neste autocontrole. Até que, então, a criança
conseguirá se controlar sozinha.
Aqui, podemos retomar os
aprendizados anteriores: Assuma o papel de pai/mãe; Conheça um pouco
sobre desenvolvimento infantil e Criança é criança.
Aprendizado 5:
NÃO SE COLOQUE NA POSIÇÃO DE DESAFIADO.
Esse aprendizado é uma consequência dos aprendizados anteriores, como veremos:
Levando-se
em conta que os pais é que estão sempre no controle da situação, que
não devemos interpretar as atitudes de uma criança da mesma maneira que
interpretamos a mesma atitude em um adulto, que a criança é um ser em
desenvolvimento e que tem direito de receber cuidados e educação dos
pais, e ainda, considerando que a criança não tem capacidade para
obedecer, chegamos à conclusão que CRIANÇA NÃO TESTA OS PAIS, SENDO OS
PAIS QUE SE COLOCAM ERRONEAMENTE NO LUGAR DE TESTADOS.
Vamos
imaginar a cena: Você está na casa de uma visita e seu filho de dois
anos vai em direção a um lindo enfeite de cristal. Talvez o objeto tenha
chamado a atenção do pequerrucho pela forma, ou pelos feixes de luz que
reflete, ou sabe-se lá porque. Fato é que a criança vai ao encontro
daquele valioso e delicado artefato. A mãe, vendo o perigo da situação,
grita: “Filho, não mexa aí!”. A criança obedece? Se a criança quiser
muito tocar naquele objeto, provavelmente ela irá se virar para a mãe e,
olhando nos olhos da mãe, pega o objeto.
Ora, se você disser pra
um adulto não pegar tal coisa e, ainda assim, ele pegar. E pegar o
objeto olhando pra você, certamente isso é um desafio. No entanto, não é
dessa forma que deve ser interpretada a mesma atitude, se praticada por
uma criança.
A criança te “desobedece” pelo simples fato de que
ela não é capaz de obedecer (lembra?) Ela não é capaz de fazer aquilo
que ela está com vontade (São as vontades, os impulsos e os desejos que a
controla. Lembra disso também?) Ela sabe que aquilo é errado e que
aquilo vai gerar uma atitude negativa nos pais (talvez é por isso que a
criança já faz a coisa errada olhando para os pais. Às vezes até com uma
cara feia, esperando e se preparando para a bronca). No entanto, por
mais que ela saiba que aquilo que ela está fazendo é errado, ela não tem
condições de não fazê-lo. Portanto, não interprete essa atitude como
desafio. Interprete essa atitude como IMATURIDADE. Afinal, é disso que
se trata.
Interpretar a atitude de desobediência como desafio por
parte da criança é bem perigoso e poderá causar dificuldades lá na
frente.
Explico porque: Crianças veem as coisas de acordo com o olhar dos pais.
Por exemplo: se os pais veem uma atitude agressiva normal, a criança passará a achar esta atitude agressiva normal também.
Portanto,
se os pais veem a atitude da criança em desobedecer numa atitude
desafiadora, a criança também passará a ver a desobediência dela como
uma atitude desafiadora.
Agora pense na insegurança que isso
poderá gerar numa criança?! Justamente os pais, muito maiores e mais
velhos que ela, que deveriam ser mais maduros e mais inteligentes, que
deveriam cuidar, mostrar o certo e o errado, e que deveriam estar no
comando, passam a se sentir “ameaçados”, desafiados, por ela, um
serzinho muito menor. Isso gera uma insegurança tremenda na criança,
fazendo com que ela sinta necessidade (aí sim) de desafiá-los, pra
verificar se eles realmente estão no comando (se ela realmente poderá
ser cuidada).
E antes, o que apenas era imaturidade, passa a ser, de fato, desafio.
Deste modo, não é a criança que te desafia, são os pais que se colocam na posição de testados.
Ora, não seja um(a) pai/mãe banana, se colocando na posição de testado por uma criança de 2,3 anos de idade.
Se
você olhar a situação de desobediência tal como ela é (falta de
maturidade, falta de autocontrole), tais atitudes da criança serão vista
por ela mesma dessa forma. E então, além dela não ter necessidade
alguma de passar a testar os pais (ela está segura e sabe que os pais
tem condições de cuidá-la, pois não se sentem ameaçados e se posicionam
como educadores, no comando da situação) fica mais fácil ela aprender a
se autocontrolar.
E, logo, logo, ela passará a “obedecer”. Ou melhor, ela conseguirá, sozinha, controlar seus impulsos.
Lembre-se
dos aprendizados anteriores: Assuma o papel de pai/mãe. Tenha plena
consciência de que você é que está no comando. Interprete as atitudes de
criança como atitudes de criança. Se colocando dessa forma, a criança
se sente segura, não precisará testar nada e vai aprender o que
interessa: ter autocontrole.
Aprendizado 6:
APRENDA A DIALOGAR, CONSTANTEMENTE.
É muito comum ouvirmos falar “Conversa não adianta” Ou: “Já tentei de tudo, mas ele não me ouve.”
Isso não é verdade!
O que existe é que você, pai/mãe, não aprendeu a dialogar.
Está
aí um dos grandes motivos pelos quais sou contra palmadas: palmadas
impedem com que os pais e filhos APRENDAM a dialogar. Dialogar é um
aprendizado, que deve ser revisto constantemente, pois a forma de
dialogar vai mudando conforme o desenvolvimento da criança. Dialogar com
um bebê de 1 ano, é diferente de dialogar com um de 3 anos, que é
diferente de dialogar com uma criança de 5 anos, de 7 anos, com um
pré-adolescente de 10 anos e por aí vai...
Além disso, para
aprender a dialogar, são necessárias várias outras atitudes dos pais,
sendo que todas elas ajudam a criar um maravilhoso vínculo entre pais e
filhos e ajudam no bom desenvolvimento da criança.
Portanto, a
palmada, além de impedir esse aprendizado – de diálogo entre pais e
filhos – ela impede também com que ocorra tudo que está por trás desse
aprendizado do diálogo. Não sei se estou conseguindo explicar o que eu
quero dizer, mas é basicamente isso: a palmada evita o processo de
aprendizado do diálogo. Mas não é só o diálogo que fica prejudicado, mas
tudo que está por trás para alcançar este diálogo com a criança.
E,
pra aprender a dialogar é necessário, antes de tudo, aprender a OUVIR. É
necessário ter EMPATIA, se colocando no lugar da criança, observando a
fase em que ela está, sua imaturidade, as mudanças que ela pode estar
passando na sua vidinha. É necessário dar atenção ao filho. É necessário
observar a criança. É necessário ter tempo com a criança. É necessário
aprender como você consegue ser ouvido pela criança. E, também, é
necessário criar uma relação muito forte com a criança, uma relação de
afeto, de carinho, de respeito, de confiança.
E a forma de
dialogar com a criança vai depender de cada família, de cada criança, e
da idade dela (da fase que ela está passando).
Por exemplo, eu
acredito que a melhor forma de falar aos bebês o que pode e o que não
pode é através de atitudes dos pais (como descrito no aprendizado 4). Ou
seja, a forma como você demonstra à criança pequenininha o que é certo e
errado é através de atitudes. O diálogo se dá através de atitudes dos
pais, principalmente.
Depois, quando minha filha era pequena (até
os 3/4 anos), conversávamos através de historinhas. Eu ia contando uma
historinha, utilizando como enredo situações que ela tinha passado, mas
com personagens fictícios, e ela ia completando a historinha junto
comigo, ou seja, se manifestando.
Outra coisa importante, é
demonstrar os valores, sempre que possível. Por exemplo, você está
assistindo um filme ou novela, a criança passa na sala bem num momento
em que um personagem dá um tapa em outro. Se manifeste! Demonstre o
quanto aquela atitude é errada. Diga coisas como “Nossa! Que horror!” ou
“Que coisa horrível isso de alguém dar um tapa em outra pessoa!” Isso
vale também para situações que você vê na rua, como, por exemplo, quando
vê alguém jogando lixo no chão.
Crianças são ligadíssimas ao que acontece ao redor. Portanto, não deixe passar batido.
Outra
coisa bacana é dar exemplos de quando você era criança, pois elas
prestam a maior atenção pra saber de como nós, pais, éramos quando
criança.
Também aprendi a não ter grandes conversas nas horas das
birras e estresse. A criança vai ficar na defensiva e não vai adiantar.
Na hora da birra ou da “discussão” seja objetivo, sem muito blábláblá.
Depois, numa hora calma, num momento de tranquilidade, em que ambos
estejam de bom humor, relembre o ocorrido, de forma tranquila e na boa, e
reforce a mensagem que você quer passar. Escute o que a criança tenha a
dizer e exponha sua opinião. Você vai se surpreender em como, nessas
horas, a criança realmente te escuta e até pede desculpas.
Costumamos
ter conversas com minha filha à noite. Perguntamos se ela quer falar
alguma coisa, se algo a está incomodando. Ela também nos pergunta se
queremos falar alguma coisa sobre nosso dia, etc.
Tenho um casal
de amigos com dois filhos que fazem “reuniões” semanais. Mas é possível
solicitar uma “reunião” quando sentir necessidade. Cada um expõe o que
quiser e sempre que um membro fala, os outros devem prestar atenção.
Achei a ideia interessante.
Outras famílias conversam sobre o dia durante o jantar.
Sabe, eu me pergunto se todas famílias praticam isso: tirar um tempo do dia para sentar e conversar.
Devo
ressaltar também que, nesta questão do diálogo, não há regras gerais e
imutáveis, sendo que a melhor forma de EU dialogar com MINHA filha,
talvez não seja a melhor forma de diálogo entre VOCÊ e SEU filho. Isso
vai depender de cada família, de cada criança. Por isso, é necessário
cada pai/mãe observar seu filho e aprender a dialogar entre si.
Sim, dialogar funciona!
Aprendizado 7:
RECONHEÇA E LEGITIME O SENTIMENTO, CRITIQUE A ATITUDE NEGATIVA.
Este é um aprendizado que devemos ter não só com as crianças, mas também com os adultos e também com nós mesmos.
Negar os sentimentos “ruins” é prejudicial, além de ser totalmente inútil.
Somos
seres humanos, e, como tal, temos todos os tipos de sentimentos,
inclusive sentimentos não muito nobres, como tristeza, raiva, ciúmes,
inveja, dentre outros.
Como escreveu Clarice Lispector: “Pensar é um ato, sentir é um fato”.
E é isso que ocorre conosco: temos sentimentos ruins e não temos controle sobre eles.
Imagine você falando para uma criança: “Não precisa ter medo de trovão”
Ok, precisar não precisa, mas como faz pra não ter medo?
“Não fique triste”, “É feio ter inveja”, etc.
Adianta falar esse tipo de coisa?
A
criança apenas vai se sentir mal por sentir o que não é pra sentir,
além dela não receber qualquer orientação em como proceder diante
daquele sentimento ruim.
Portanto, ajude a criança a reconhecer e a manifestar verbalmente o sentimento e a oriente.
Por
exemplo: “Tudo bem você ficar com raiva porque eu não fiz tal coisa,
mas não grite e não bata a porta. Eu não admito que você grite comigo.
Se acalme. Quer um copo d´água pra se acalmar? Quer ficar um pouco no
seu quarto?”
Ou: “Eu entendo que você fica chateado quando está
perdendo um jogo. É normal. Ninguém gosta de perder. Mas você não pode
parar de jogar só porque está perdendo. Vai jogar até o fim e continuar
tentando vencer.”
Demonstre pra criança que tudo bem sentir assim
ou assado, mas o que importa são as atitudes. Assim, você a ajudará a
aprender a reconhecer os seus sentimentos e a lidar com eles, de um modo
construtivo.
Por exemplo, sabemos que crianças podem agir de
forma agressiva, ou com manhas e birras, ou até mesmo fazendo xixi na
cama quando algo as incomoda (muitas vezes nem mesmo elas sabem o que
está incomodando).
Assim, se você ajudá-la a reconhecer os
sentimentos, a verbalizá-los e a lidar com eles de forma positiva, com o
tempo, a criança conseguirá reconhecer tais sentimentos e a
compreendê-los. E, mais ainda, ela conseguirá manifestar estes
sentimentos de forma construtiva e civilizada, sem precisar fazer manha,
birras ou serem agressivas, apenas expondo verbalmente.
É muito
melhor e muito mais fácil lidar com uma criança que chega e diz “Hoje eu
estou um pouco nervosa por causa de tal coisa”, do que com uma criança
que sequer consegue entender o que a está incomodando, passando a tomar
atitudes agressivas, fazer birra, etc.
A criança precisa se sentir
segura para expor o que sente. E precisa ser acolhida, sempre. Não
julgue e não menospreze o sentimento dela. E a oriente com relação às
atitudes.
Aprendizado 8:
SEJA SINCERO.
Não tenho muito o que falar sobre este aprendizado, pois ele é muito simples. É apenas isso: Seja sincero.
Para crianças terem confiança nos pais é preciso que estes sejam sinceros.
Tenho pavor de promessas que os pais sabem que não irão cumprir, de enganar a criança, essas coisas.
Esse
tipo de “enganação” faz com que suas palavras percam o valor. Aí, todo
aquele processo de aprender a dialogar com a criança vai por água
abaixo.
Portanto, seja sincero.
Além disso, quando você for explicar ou justificar algo para a criança, pense sempre a real necessidade daquilo.
Por
exemplo, quando você precisar convencer a criança a tomar banho, pense e
diga sobre a real necessidade de se tomar banho. As pessoas não tomam
banho para ganhar sobremesa, ou para poderem jogar vídeo-game. As
pessoas tomam banho para não ficarem fedidas (vivemos em sociedade) e
para terem higiene, evitando doenças.
Quando a criança pergunta coisas que você não sabe, não tenha medo em dizer que não sabe.
Para
finalizar, gostaria de citar dois artigos científicos que respaldam a
não-necessidade e potenciais malefícios da utilização de palmadas na
educação infantil.
Nesta
metanálise a autora apresenta resultados da associação entre castigo
corporal e 11 comportamentos infantis, e os resultados são claros:
castigos corporais (palmadas) foram associado com níveis mais altos de
conformidade imediata (ou seja, a criança aprende a se submeter ao
castigo e se conforma ao invés de questionar e tentar entender a origem
do castigo e não vai atrás de um aprendizado) e agressão e baixos níveis
de internalização moral e saúde mental a longo prazo. Lembrando que
metanálises são ferramentas poderosas na ciência, pois avaliam os
resultados de vários estudos independentes voltados a uma única questão,
no caso, o castigo corporal.
Bom, por enquanto é isso. Espero que ajude alguém.
Bjs a todos!
Tatyana Marion Klein(36 anos), advogada em Curitiba, mãe da Luíza (9
anos).
Ufá. Se chegaram até aqui foi porque não desistiram de ler, mesmo o texto sendo extenso, mas quem disse que educar é uma tarefa simples, espero que tenham gostado e possam colocar em prática o ensinamento.